quinta-feira, 20 de março de 2014

Primavera!

Chegou a Primavera! Nasce o Sol e Aurora resplandece rodeada de flores e de cores que a envaidecem. Chegou a Primavera! A noite é porfiada pelo dia quando ficam ambos com o mesmo tempo de acção. Mas a Noite sorri e diz ao Dia:- és tão breve para quê essa porfia? E o Dia diz-lhe: - o Sol é o mais Belo astro que nos ilumina! Conheces mais bela estação que a Primavera? Até tu, ó Noite, tens outro esplendor! A lua que te ilumina em todos os recantos senta jovens apaixonados. Pois, diz-lhe a Noite:- o dia de intensa alegria permite que entrem na noite a sonhar. Sonham e fazem juras de amor eterno, ouvem os sinos da aldeia e não estão cansados, nem se lembram que são horas de regressar. Eu bem tento fazer-lhes ver que tu és pura ilusão nestes dias, mas eles cantam hinos à Primavera  na sua juventude repleta de amores. Não conhecem os perigos da noite, nem a sua solidão. Ouvem os gemidos de crianças  a nascer durante a lua nova e sentem-se ufanos de estar a crescer. Sonham que os rouxinóis cantarão só para eles, que as andorinhas farão os seus ninhos nos beirais das suas casas, que as rolas arrulharão nos seus quintais e que o rosmaninho encherá de perfume os seus caminhos. Só tu ó Noite, diz-lhe o Dia: - gostas de matar as ilusões. Deixa-os sonhar que se embrulham em cetins, que vestem capas de veludo para te deslumbrar e que assim será para todo o sempre. Não vês tu que eu tenho o dom de os fazer sentir-se Reis e Rainhas, protegidos de todos os ventos e marés e de os deixar sentir o cheiro da maresia sem conhecerem os perigos do mar? Eles sentem forças desmedidas sentem-se belos, sentem-se amados e sonham que esta  Primavera durará toda a vida! Ora essa! diz a Noite  ao Dia: - Então tu não vês que eu sou mais poderosa? Tu tens um dom? E eu? Sabes que tenho o dom de esconder a realidade, faço-lhes ver as sombras mais claras mais escuras para não reconhecerem os inimigos que farejam nas noites de breu. Tudo são sonhos rosados de dias inebriados do Sol que tudo lhes promete. Mas os inimigos espreitam, ó Dia! Deixa-os sonhar ó Noite! Diz-lhe o Dia: - Ainda agora cheguei, deixa-os sonhar ó Noite! Eles ainda não conhecem o frio do Inverno, que esse é para os seus pais e avós. Deixa-os sonhar ó Noite! Chama os Zéfiros brandos e diz-lhes que soprem em sussurro: A Primavera é eterna ela surgiu para te deslumbrar. Ela viverá eternamente em ti, senão no teu corpo, viverá na tua alma. E amarás para todo o sempre. Chegou a Primavera! Viva a Primavera que vive no meu jovem coração.    

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Saudades!!!

Querida V.

Por este tempo recordo esse tempo
A inocência da Juventude
A menina de vinte e dois anos
Que embalava e amamentava uma
E abraçava outra de mansinho
Para que não julgasse o seu tempo
De menina da Mamã terminado
O coração de Mãe chorava de alegria
De cansaço, a pedir ainda, um abraço
Materno de consolo, que não tinha!
Como foram felizes as minhas meninas
Num Amor devotado a todos os
Minutos do dia!
Não me pesa no coração
Ter vivido para os filhos e
Para os livros.
Valeu a pena?
Vale sempre a pena
Quando a Alma não é pequena.
Momentos maus, momentos bons,
É a vida!
No meu coração, no meu ventre,
As minhas meninas e menino
Eram mais minhas.
Porém, foram sempre
Repartidas, porque as 
Ensinei a Amar o Pai
Que muito trabalhou
Para lhes dar, nos dar
Tudo o que tinha
Era o nosso único amigo
Sincero, o Amor da minha vida.
Vós sois frutos do Amor
E só podereis espalhar Amor
Nas vossas vida.
Fica com Deus neste dia
O teu Guia, o Nosso Guia
Eternamente recebe 
O Amor desta menina
Que muito te admira.
Sê feliz, mesmo quando
Estás triste, lembra-te
Do grande Amor dos teus Pais
Que de manhã à noite
Pedem bençãos para ti
Estás sempre no nosso
Coração e pensamento.

De tua mãe Ana Maria


sábado, 11 de janeiro de 2014

«A tela de Josefa de Óbidos no Buçaco»

Foi na "noite de Natal e ninguém deu por nada"! Numa das capelas laterais do Convento de Santa Cruz do Buçaco um incêndio destruiu "uma sagrada Família de 1664, assinada pela pintora portuguesa Josefa de Óbidos." Estas são palavras escritas por Lucinda Canelas no jornal Público de terça feira dia 7 de Janeiro, num artigo sobre o Património, nas páginas de Cultura e que se intitula: «Há três anos que há um projecto para o Buçaco à espera de verbas.» Diz-nos o artigo que este imóvel é propriedade do Estado e foi classificado em 1943. Por falta de verbas para se consertar o telhado da capela, chovia lá dentro. Terá sido por causa dessas infiltrações que houve, presumidamente, um curto-circuito. A pintura do século XVII considerada a "jóia do recheio" (segundo Vítor Serrão) desta casa religiosa, que pertenceu aos monges carmelitas descalços, ficou totalmente destruída. 
Foi uma tragédia e não há a quem se pedir responsabilidades?Eu pergunto: porque é que a obra não foi retirada para um sítio do convento onde não houvesse infiltrações? Mais adiante leio, no mesmo jornal, um artigo - Debate Património - do Historiador de Arte Vítor Serrão, intitulado:«Morte de uma obra de arte: a tela de Josefa de Óbidos no Buçaco» e que nos diz: que "em termos de património artístico, a perda é irreparável (como todas as perdas...) mas esta é especialmente importante por se tratar de um quadro barroco de assinalável mérito, que marca um momento de viragem na produção da pintora seiscentista. Aliás, pereceram neste incêndio várias outras obras de valia, tanto de talha como de imaginária e de pintura (...) Mas é a Sagrada Família, sem a mínima dúvida, a perda patrimonial mais significativa que decorreu deste incêndio.
Aos 34 anos de idade, Josefa de Ayala e Cabrera, conhecida como Josefa de Óbidos (Sevilha, 1630-Óbidos, 1684) pintou esta tela devocional para os frades do Buçaco, aí representando um tema de piedade tridentina bem adequado ao sentido de pobreza sacrificial vivenciado no deserto carmelitano (...) Temas como este tinham grande impacto no século XVII, no quadro da doutrina contra-reformista  tão atreita a desenvolver uma propaganda credível através do bom uso das «imagens sagradas» (...) O interesse histórico-artístico do painel radica no facto de se tratar de uma das primeiras encomendas de Josefa como pintora profissional (...) A tela do Buçaco, de médio formato (1030x1580mm), estava assinada e datada de 1664 (...) e mostra, dentro das suas naturais convenções de discurso e limitações inventivas, o talento da artista, a maturação do seu estilo e a crescente afirmação dos seus pessoalíssimos modelos e receitas. São estas qualidades que justificaram a fama de Josefa no contexto da arte portuguesa do século XVII (e no contexto do Naturalismo barroco peninsular, em que a sua arte se insere). É por tudo isto que a destruição da Sagrada Família, de 1664, não pode deixar de ser considerada uma tragédia para o património artístico nacional.
Não deixa de ser considerado como triste metáfora que uma Sagrada Família com estas características de unicidade artística desapareça, e logo na noite de Natal!"
Hoje posso dizer-vos do desgosto que senti neste dia em que li estes dois artigos. Tal como nos diz Vítor Serrão o património artístico nacional acaba de sofrer com a destruição da tela de Josefa no Buçaco uma perda significativa, cuja valia é incalculável.
Deixei correr as palavras quase tal e qual com estavam no jornal, mas não dispensa a vossa leitura dos artigos de Lucinda Canelas e do Prof.Dr. Vítor Serrão. Agradeço-lhes o sentimento de partilha desta tragédia que nos deixou a todos mais pobres, pela incúria que talvez tenha havido e que talvez ainda venha a ser atribuída. A menos que a culpa morra sempre solteira.
 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Boas Festas!

Quando se aproxima o fim deste terno Outono, em que os dias de Sol foram aprazíveis e o frio só se instalou, mais severo, durante cerca de quinze dias, quando estamos no dealbar do Solstício de Inverno, em que a chuva faz a sua aparição de mansinho, estamos a chegar ao Natal de 2013.
Mais um ano está a chegar ao fim. De Janeiro a Dezembro, muitos foram os acontecimentos que, possivelmente, modificaram as nossas vidas. No entanto, nem por isso deixamos de estar unidos num universal e fraterno coração que nos enlaça a todos os povos, a quem desejamos umas Boas Festas  e um Feliz Ano Novo.
Daqui de Lisboa vão as minhas saudações a todos os leitores que continuam a pesquisar nos meus trabalhos alguma ajuda para as suas dúvidas, ou um modesto apoio para os seus trabalhos. Desejo que as buscas sejam frutíferas e que acrescentem sempre um pouco mais aos vossos conhecimentos, mesmo que seja por simples curiosidade. Receber ecos de todos os Continentes de milhares de leitores tem sido para mim muito gratificante. Fez-me compreender, com grande surpresa, que fiz um percurso universitário algo invulgar com muita inocência e uma modéstia desconhecedora do mérito da minha escrita e do meu labor. Tenho, hoje, graças a todos os meus leitores, a consciência de que devo continuar a investigar e a dar-vos conhecimento das tarefas que tenho entre mãos.
Estou numa nova etapa da minha vida que será preenchida, totalmente, pelo meu contínuo gosto pelo conhecimento que prometo não deixar esmorecer. 
Até depois das festas, que desejo sejam para todos com muita alegria, saúde e confiança num futuro melhor, num Mundo em Paz e prosperidade.  
    

sábado, 9 de novembro de 2013

Leituras ...(3ª)

O prazer da leitura ocupa-nos todos os momentos livres e não nos deixa tempo para a escrita. Regressar ao meu blogue é mais difícil quando me embrenho num ou noutro romance ou nos livros de contos que tenho andado a ler. É destes últimos que vos vou falar, a propósito do Prémio Nobel atribuído a Alice Munro. Ainda só li dois: Amada Vida e Progresso do Amor, editados pela RELÓGIO D'ÁGUA. O primeiro tem catorze contos e são todos com uma prosa cantante, melodiosos e repletos de ritmo. É, por isso, uma prosa repleta de alegria, mesmo quando os contos encerram alguma história mais triste. Ali há vida. Respira-se uma "amada vida" que deverá ser, ela mesma, a vida amada pela escritora. A sua maneira de escrever é leve, com um estilo muito próprio, que não se cansa de nos surpreender. Considero que foi uma revelação para mim, visto que não costumo comprar muitos livros de contos.
O Progresso do Amor é composto por onze contos. O primeiro conto dá o título ao livro, enquanto que,  curiosamente, Amada Vida é o último conto que lhe dá o título. Os temas são tão comuns à vida do dia a dia das comunidades ou das pessoas, individualmente, que mostra como o Homem é profundamente parecido qualquer que seja o país, cidade ou campo em que viva. Mesmo sendo comuns, o que me surpreendeu, por exemplo, foi o conto Monsieur les Deux Chapeaux, pois não me parecia plausível que um enredo tão simples pudesse dar um conto tão interessante e fora do comum. A vida inteira dedicada à escrita, não admira que tenha conseguido uma maestria na arte do conto. Nascida em Ontário, no Canadá, a 10 de Julho de 1931, publicou a sua primeira história em 1950, quando ainda andava na faculdade. Recebeu imensos prémios literários, o que prova que foi reconhecida dentro e fora do Canadá.
A propósito destes contos gostava de vos falar de "Teresa Veiga" (é um pseudónimo) uma nossa escritora, que nasceu em Lisboa em 1945, e, apesar de ter publicado um romance em 1999, é através dos contos que eu a conheço. São cinco volumes de contos e novelas, sendo o mais antigo de 1988, e o mais recente de 2008. É uma contista de primeira água que sempre nos encanta e nos prende. Porque será que é tão pouco reconhecida? Não sei. É o país que temos. Voltei a ler o livro História da Bela Fria, que é uma antologia de nove contos encantadores, pela prosa tão perfeita e pelos temas tão variados. Lia para poder comparar com Alice Munro. As histórias são passadas no nosso Alentejo e em Lisboa e são contos que também podem ser universais. Era tempo de se tornar mais conhecida, pois é uma escritora de muito mérito.
Para terminar tenho que corrigir um erro que dei, pela precipitação, acerca da Colecção Prémio Nobel do Diário de Notícias. Não é em 2001 que acaba a mesma, mas em 2003, com o livro: A Vida e o Tempo de Michael K  de J.M. Coetzee. Outro exemplo de como a vida de um rapaz e de sua mãe (uma pequena parte) pode resultar num romance tão belo, que nos leva a lê-lo de um fôlego e a ficar com pena de não conhecer-mos o que de facto aconteceu a Michael K na sua luta por ser um homem livre, num período de guerra. J.M. Coetzee foi Prémio Nobal em 2003. A colecção P. Nobel do D.N.  não é contínua e tem alguns dos muitos Prémios que foram atribuídos até hoje. Fica o erro ressalvado.   
    

domingo, 13 de outubro de 2013

Leituras... (2ª parte)

Hoje começo por vos falar de Pearl S. Buck que foi prémio Pulitzer de ficção em 1932, e Nobel da Literatura em 1938. É uma das autoras que vem representada nesta colecção do DN, com o livro Histórias Maravilhosas do Oriente. Esta romancista norte-americana nasceu em 1892 e faleceu em 1973. Os cenários e temáticas habituais da sua narrativa desenrolam-se na China, pois aí foi educada e viveu a maior parte da sua vida; mas, nesta leitura, também encontrei contos de encantar da Turquia, do Japão, uma graciosa história da Arábia, da Índia, e da Rússia. O conto que mais me encantou foi: A história de Ming-Y. E, por fim, foi-me dado ler a escritora Nadine Gordimer, que foi prémio Nobel da Literatura em 1991 e está representada nesta colecção do DN com o romance Um Mundo de Estranhos. Trata a problemática do apartheid na África do Sul, com muito conhecimento de causa, pois é sul-africana. Posso dizer que foi uma descoberta para mim, não só no plano da tecitura do seu romance, com histórias de amor e vivências quotidianas das personagens, mas também na sua escrita bela e perfeita, a lembrar o romance inglês do século XIX. Seguidamente dediquei-me a ler, da mesma autora, o romance A História de Meu Filho que trata a a mesma problemática com uma estrutura semelhante. Este segundo livro é da Colecção Mil Folhas, vendida pelo jornal Público (que são cem livros da melhor qualidade).
Tenho que reconhecer que são só estas quatro escritoras que estão representadas na colecção Prémio Nobel, que comporta cinquenta livros que abrangem o Nobel desde 1907 a 2001, tirando aquele período em que o Nobel não foi atribuído. Digamos que as mulheres escritoras têm sido um pouco "relegadas" neste prémio, uma vez que só foram contempladas treze vezes.
A escritora que está mais representada nas minhas estantes, em obras lidas por mim, sendo prémio Nobel da Literatura, é a Doris Lessing, talvez porque havia várias traduções das suas obras aquando lhe foi atribuído o prémio e depois porque a temática sobre a África me interessa sobre maneira.
Em 1949 foi prémio Nobel da Literatura William Faulkner. Reli com a mesma paixão a Luz em Agosto e O Som  e a Fúria . Devo dizer-vos que Faulkner é único e magistral na sua escrita. Apaixona quem gosta de apreciar a técnica de narrar e ao mesmo tempo a beleza poética das palavras, mesmo quando duras como pedras, como setas que magoam e fazem doer ao leitor.Vou continuar sempre a lê-lo. 
Cada vez estou mais entregue aos autores americanos, ingleses e também aos alemães. Penso para mim: fosse eu jovem com um percurso de estudos normal e teria seguido os Estudos Ingleses e Alemães! Sonhava com o conhecimento do meu País e nossa cultura, a nossa literatura, uma vez que passei quase metade da minha vida em África, afinal que desilusão! Que ensino, que paupérrimo é o nosso meio literário que damos quase sempre o dinheiro por mal gasto quando compramos novos autores. Valham-nos os clássicos que são o nosso refrigério, o nosso calor de alma.
Mas adiante que estou a fugir ao tema! Li Hermann Hesse. Curiosamente comecei a lê-lo através do seu livro O Elogio da Velhice (da Difel) Os seus poemas, a sua escrita sempre recorrendo à natureza, à beleza do quotidiano, ao observar os mais pequenos pormenores...prendeu-me para sempre. Vou transcrever um poema que vem mesmo ao terminar este livro:

OUTRORA, MIL ANOS ATRÁS

Acordado de um sonho incoerente
Inquieto, sempre ávido de viagens, 
Escuto noite fora a sua canção, 
O sussurro dos meus bambus selvagens

Não consigo descansar ou ficar deitado, 
Os velhos hábitos tenho de largar,
Faz-me voar, projecta-me para longe,
Viajo para onde o infinito me levar.

Houve uma pátria, um jardim,
Outrora, mil anos atrás.
Por entre a neve espreitava o açafrão
No canteiro onde o pássaro jaz.

Gostaria de poder estender asas
Escapar-me aos feitiços que me assombram
Voltar a viver os bons tempos,
Cujas riquezas ainda hoje me deslumbram.

E depois li o Peter Camenzind que está na colecção Prémio Nobel do DN, porque Hermann Hesse foi Nobel da Literatura em 1946. Bebi todas as palavras sem me cansar, apaixonei-me pelo autor, pela personagem, pelos amigos de Peter, pela sua solidão senti tristeza, e rejubilei quando ele voltou a casa depois de tantos anos a errar por Zurique, por Paris, pela Itália, onde em Assis tinha o seu adorado S. Francisco, por Basileia, enfim, eis que regressa às suas amadas montanhas. É indescritível a beleza desta prosa. Foi uma descoberta. Em seguida dediquei-me à leitura de Siddhartha (colecção Mil Folhas). Um "poema indiano" como o definiu H. Hesse. A procura da explicação do Eu, de um "todo" que vai desde a ascese até à experiência das paixões e vícios mundanos e, por fim, o despojamento de toda a riqueza e a realização  total encontrada numa vida simples, simples, simples. 

    

sábado, 12 de outubro de 2013

Leituras...

Como é que cheguei ao interesse pela leitura da colecção Prémio Nobel editada para o Diário de Notícias  e vendida, aqui há uns anos, com o mesmo jornal? Afinal tinha-a comprado fielmente; encheu uma prateleira da estante e, por falta de tempo, nunca a tinha lido.Tudo começou com a leitura de América, América do Jorge de Sena, editado pela Guimarães, nas suas Obras Completas. Queria conhecer o seu "testemunho pessoal sobre viver nos Estados Unidos da América", "sobre a cultura norte-americana", a sua História,  os estudos de Português na América e tudo o mais de que é composto este livro.
 A leitura deste levou-me a interessar-me por outro livro: a américa e os americanos e outros textos de John Steinbeck, da editora Livros do Brasil, publicado para comemorar o centésimo aniversário do nascimento do autor. Gostei muito do livro, mas não era já a escrita dos romances de Steinbeck! Claro está que os textos são uns ao estilo da crónica, outros autobiográficos, com muito interesse, com uma escrita escorreita, mas que não lembravam a paixão com que eu tinha lido as obras fundamentais do autor: As Vinhas da Ira e A Leste do Paraíso. Ao arrumar o livro encontrei o título: A Um Deus Desconhecido do Steinbeck, na colecção Prémio Nobel do DN, porque o autor recebeu o prémio em 1962. Continuei com a leitura deste livro, até porque não o conhecia, que me encantou logo pelo poema que abre o romance e que dá o título ao livro. Assim despertei para esta colecção.
Voltei depois à Maria Ondina Braga e ao seu livro: Mulheres Escritoras, porque vi que no meio de tantos escritores Prémio Nobel quase não se viam mulheres! Li com curiosidade como leio sempre as biografias das autoras já de mim conhecidas. 
Procurei e encontrei a Selma Lagerlof na dita colecção com O Livro das Lendas. Esta romancista sueca  foi prémio Nobel em 1909, nasceu em 1858 e faleceu em 1940. 
Curiosamente, tal como Alice Munro, escritora canadiana, que esta semana ganhou o prémio Nobel da Literatura, também Selma escreveu contos. Fui procurar mais livros de Selma na FNAC e só encontrei O Imperador de Portugal, na colecção: Clássicos da Literatura Contemporânea, da Ulisseia. Lindo e trágico mas que nos faz recuperar o encantamento da leitura.
Outra escritora, mas norueguesa, que foi Prémio Nobel da Literatura em 1928 e está presente na colecção do DN,  é Sigrid Undset. Li com espanto esta escrita tão desassombrada e tão bela, que nos mostra a força de uma mulher que dá o seu nome ao título: Vigdis, a Indomável. A sua "obra reflecte experiências autobiográficas centradas na problemática feminina contemporânea," assim como romances históricos onde ressalta a contradição entre o amor divino e o amor humano. Escreve também sobre as suas convicções religiosas. Confesso que gostava de possuir a sua obra completa.
Como já se faz tarde continuo amanhã a dar-vos conta de como tem sido uma surpresa para mim esta colecção de livros do DN. Agora que a crise está instalada, volto às minhas estantes para ler com prazer estas autoras e autores magníficos.